Mostrar mensagens com a etiqueta Aldeias do Algarve Rural. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Aldeias do Algarve Rural. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, setembro 15, 2011

Rápida passagem pelo Palácio de Estoi

Passei por esta pequena vila, e lembrei-me de ir ver o Palácio de Estoi.





Por si, Estoi é uma pequena mas bela vila pacata, com enumeros pontos de interesse e beleza escondida. A igreja, as ruelas e o icônico Palácio, facilmente prendem a atenção de qualquer visitante.







Outrora, uma dos mais belos exemplos de arquitectura do género Rococó, o mesmo é neste momento, um local de desolação. Fiquei triste ao ver os jardins outrora exuberantes, agora completamente abandonados, o caminho na entrada quase irreconhecível e as estátuas visivelmente danificadas.




Associar o Palácio à Pousada é uma mais valia para quem explora o local, no entanto o interesse na sua recuperação e abertura como espaço museu foi evidentemente descurada. Engraçado como se fala de recuperação do espaço com a construção da Pousada, quando na realidade, a ao passar junto do portao principal, o mesmo se encontra encerrado, tal como a história que anseia em chegar junto de todos os visitantes.


Pormenor de uma das "janelas" do muro na entrada.

Portão da entrada principal do Palácio


 Circulando ao longo do muro da pousada e contornando todo o espaço, apanhamos a estrada que nos leva à Pousada. Um caminho em calçada portuguesa, com uma linda paisagem circundante. Quintas restauradas, vivendas tratadas e uma paisagem natural e característica das paisagens da serra, levam-nos até à entrada da Pousada.

Pousada de Estoi
Neste momento, também os espaços verdes do recinto da Pousada estão um pouco descurados. Ervas maiores que as plantas decorativas, grandes áreas de plantação sem vestígios de plantas e um "ervado" que se confunde com um prado florido, ainda sem flores...
Posso apenas especular que se tratam meramente de motivos económicos e não de falta de estética ou senso. Afinal, como eu, também qualquer turista que fique ou visite a área irá observar esses pequenos detalhes, que muita diferença podem fazer...



Mas pormenores à parte,  o pormenor paisagistico foi bem conseguido. Pelo menos na cobertura do edifício. Transmite-nos serenidade.


Uma coisita que pessoalmente "detestei", pois caso fosse eu que estivesse acomodada neste quarto, não queria ser incomodada por olhares indiscretos que pudessem passar na escadaria entre os edifícios. Decididamente, este pormenor teria que ser corrigido asap.


Mas não pensem que é só críticas. Não senhor. Apenas queria partilhar este meu sentimento, um pouco de revolta, de ver um dos monumentos mais bonitos e respeitáveis da área, tão mal tratado e quase esquecido, valendo-se certas entidades apenas do nome, sem preocupações da preservação da história e sua divulgação ao mundo.

Vale sem dúvida, a visita, pois uma vez mais, pormenores à parte e ignorando essas más coisas, o espaço leva a nossa imaginação aos tempos de outrora, das damas com longos e vistosos vestidos, dos convidados entrando e atravessando o longo caminho até à escadaria, os jardins espectaculares e frondosos, as fontes, os sons dos animais........
Como deveria ser lindo...

Bons passeios...

domingo, novembro 14, 2010

Vila de Monchique e Fóia

Fóio - Setembro 2010. Aqui, as núvens estão abaixo de nós...
Fóia: ponto mais alto de todo o Algarve, com os seus cerca de 910 metros de altitude, transporta-nos para outra estação, mesmo em pleno dia de Verão. Neste dia, com cerca de 31ºC ao nível do mar, chegamos lá acima e a temperatura vai para os 12-13ºC!
Frio. Muito frio, para quem vai de vestes de Verão!

Ao chegar lá acima, podemos apreciar a vista sobre toda a Serra de Monchique, onde as árvores formam um verdejante tapete que cobre grande parte da Serra. Pena e triste, as manchas despovoadas de árvores que se avistam aqui e além, devido a "desastres" que o Homem  ainda insiste em manter e promover, com os fogos que se verificam ano após ano...
Subir ao cimo das pedras na Fóia.


 As árvores, como alguém escreveu, "formam um misterioso jardim, uma catedral natural que o mar emoldura no infinito."

Lá em cima, sentimos a fria briza e as núvens que por nós passam e nos fazem sentir como sendo "parte" da natureza, de forma nua e natural.







 Descemos, em sentido à Vila de Monchique. Pelo caminho, passando por caminhos emoldurados de vegetação luxuriante, fontes, ribeiros e regatos que a cada curva se vão descobrindo. É esta riqueza hidrológica que dá vida, cor e frescura a esta região.

Castanhas ainda dentro do "ouriço" em fase de amadurecimento.

Castanheiro (árvore adulta) - nome científico: Castanea sativa

Uma das espécies, entre muitas outras, que se evidenciam na paisagem, são os Castanheiros (Castanea sativa), que nesta altura do ano, nos fornecem o precioso fruto, que pelas ruas das nossas vilas e cidades nos fazem cescer a água na boca - as castanhas. Aqui, ainda em fase de maturação.
Caminhos na Serra da Monchique, entre Castanheiros e Eucaliptos.

Caminhos e mais caminhos, por entre árvores várias. Aqui, uma zona de eucaliptal.

A extracção de sienitos (usada nas pedras de calçada da região) e a extracção de cortiça, são duas das actividades económicas mais importantes na região, a par do engarrafamento da água de Monchique e da exploração florestal intensiva (eucaliptos e pinheiros).

Outras fontes de rendimento são os produtos agro-alimentares artesanais e a apicultura. A suinicultura e a agricultura de subsistência, em socalcos, tmabém são relevantes para a economia local. Convém referir a já famosa Feira dos Enchidos de Monchique!


Vistas panorâmicas da Serra, transporta-nos para várias direcções e orientações desde a Serra até ao mar, lá ao fundo...
Vista da Serra num dos muitos miradouros que se podem encontrar.

Vila de Monchique: arte e cultura popular encontram-se no centro da vila.
Descemos mais um pouco pela serra e chegamos á vila: Vila de Monchique.

Aqui, encontramos a tradição da vila, aliada à modernização, num misto de arte e tradição, que tanto motiva e incentiva o turismo local.
Alusão aos mais pequenos da vila.

Painel de azulejos, situado no centro da vila.

Vista panoramica da Vila de Monchique.

Mais uma das vistas da Serra de Monchique.


Vale a pena visitar, com calma e tempo, de forma a descobrir o que de genuíno ainda existe na nossa região.

Fui um dia muito bem passado, em família.

Ah, e já agora, não deixe de experimentar a melhor parte: a gastronomia local - doces e enchidos....hum!

Aprecie e....bons passeios.
Momentos da vida da Vila, onde o doutor conversava com os mais jovens da terra.

segunda-feira, outubro 18, 2010

Alte - onde o verde e a água convidam a infindáveis momentos de lazer

Em mais um dia de passeio pelo nosso barrocal algarvio, cheguei a este fantástico lugar, baptizado de ALTE. Com as suas casas de tipo rural, construídas em taipa e com tecto de caniço que enquadram a brancura de uma aldeira tipicamente serrana, atraem qualquer turista nacional ou estrangeiros, para um passeio pedonal pelas suas ruas e ruelas. Note-se que a aldeia de Alte é geralmente considerada como uma das mais bonitas de Portugal.
Foi a tipicidade desta aldeia que me convidou a percorrer essas ruas apertadas, com calçadas empedradas com a tradicional calçada e com pequenos páteos aqui e ali, cheios de floreiras de coloridas e floridas sardinheiras (Pelargonium zonale).
A aldeia foi edificada entre os 4 cerros que a rodeiam: Galvana, Francelheira, Castelo e Rocha Maior, e convido-vos a um passeio "virtual" pela aldeia:

Num dos painéis visíveis ao longo do passeio junto á ribeira, é possível ver e ler este poema de Luís de Camões, tão antigo na sua origem, mas igualmente actual na mensagem que deixa.

Numa das esplanadas junto á ribeira, todas as mesas são construídas com os pés em ferro provenientes das famosas máquinas de costura de mesa - SINGER. Original e respeita os princípios da reciclagem...

A ribeira que atravessa Alte, desde a Fonte Grande à Queda do Vigário, dá frescura perene e alegria á aldeia. É frequente encontrar crianças e adultos a banharem-se e a brincar nas límpidas e frias águas da ribeira.




Pela aldeia adentro, caminhando desde a ribeira até ao centro da aldeia, é possível observar pequenas e típicas ruelas, com a sua típica calçada á portuguesa e aqui, com uma esplêndida bougainvillea em flor para alegrar o olho.

Em frente da Igreja Matriz de Alte, consegue ver-se ainda a placa na parede da casa que indica o sentido da Estrada Nacional, por caminhos outrora seguidos, mas que neste momento apenas são seguidos pelos turistas, curiosos e moradores locais, que querem explorar os caminhos de antigamente.
Capela de S. Luís nos dias de hoje.

Capela de S. Luíz nos tempos de outrora. Ao longo das ruelas podemos observar imagens dos vários pontos históricos da vila, em diferentes momentos da sua vida e evolução. Observem que a árvore é ainda a mesma em ambas as imagens...


Porta principal de entrada da Igreja Matriz. Com fundação anterior ao séc. XV, a igreja sofreu remodelações nos séc. XVI e XVIII. O portal e as pias baptismais são manuelinos. O maior destaque desta igreja, são a abóboda quinhentista artesoada, revestida com azulejos do séc. XVIII e talha barroca. Magníficos azulejos policromos completam a decoração da igreja, assim como as belas imagensde Santa Teresa (séc. XVII), Nossa Senhora do Rosário e Santa Margarida (séc. XVIII), também decoradas a azulejo.

Vista geral da Igreja Matriz, no centro da Aldeia de Alte.

De volta á Ribeira, passo por mais uma ruela em que a arquitectura típica se funde com o conforto das modernas casas por dentro, mas mantêm a cor e imagem de antigamente por fora.

Rua dos Pisadoiros, um painel de azulejos descreve e mostra uma das actividades praticada nos tempos idos e que ainda se mantêm vivo nas mentes dos mais idosos. Esta era a rua em que a actividade de empreita da palma era praticada desde as primeiras horas da madrugada, até ao nascer do sol, pelas senhoras da terra. A tarefa consistia em, após demolhar nas levadas da ribeira e enxuto o esparto, nas suas margens, este (o esparto) era depois pisado, horas a fio, nas ruas e largos da aldeia. Á noite, nos serões à lareira ou nos pátios da aldeia, as mulheres torciam-no entre as suas mãos, numa delicada e fina baracinha. Eram depois comercializados como objectos funcionais do quotidiano: ceirões, cabos, sacos de rede, alcofas, tapetes...
  
Um dos pontos mais altos da aldeia, onde é poss

Escultura na ribeira.


 
O pormenor de troncos de alfarrobeira (nome científico: Ceratonia siliqua, nome comum: alfarrobeira) a emergir de uma rocha, demonstrando e elevada capacidade de resistência e de persistência, para vingar num sistema rochoso como o da região. Podia ser uma escultura, mas é a natureza a sua autora... 


Exemplo de uma nora em funcionamento. Esta encontra-se á entrada do restaurante "Fonte Pequena", que se recomenda, principalmente pela especialidade que eu bastante aprecio: Carapaus alimados.....

Vista da margem lateral da ribeira

Um dos muitos poemas de Cândido Guerreiro - poeta altense, que tantas vezes se inspirou nas suas visitas á Fonte Pequena. O poeta apreciava particularmente a harmonia bucólica do local, cujas características ainda hoje se mantêm. Aliás, foi nesse lugar que a povoação resolveu adificar uma estátua sua, em sua homenagem.

A Fonte Pequena.

Ponte de acesso á vila, que passa sobre a ribeira. Vejam-se os bandos de patos mudos, patos reais e cisnes que passeam calmamente pela ribeira em busca de comida que os transeuntes e residentes lhes atiram á água.... A Maggie bem que olhou para eles e fez as suas contas de cabeça......mas decidiu apenas nadar com eles!
Ora bem.....quantos são?????

Ataque!!!!.....Bolas, a água está fria, brrrrrrr.........
fugiram todos. Porque seria?
 Muitas coisas ficaram por ver, mas muitas ficaram na memória. É um passeio para fazer só, ou em família, mas não esquecer nunca um farnelzito e um livro ou caderno de apontamentos, de forma a poder apreciar verdadeiramente este ambiente á nossa volta, que tanta gente inspirou...

E não deixe de apreciar a doçaria e confeitaria com a tradicional amêndoa e mel, nas pastelarias locais. E a aguardente de medronho que vai bem com todos esses docinhos...

Divirta-se e bons passeios...

domingo, abril 18, 2010

Festa Grande da Mãe Soberana, Nossa Senhora da Piedade - Loulé









Neste dia 18 de Abril, na cidade de Loulé, ocorreu mais um evento de carácter religioso, onde ocorreram milhares de fiéis à cidade. Neste dia, festeja-se o adeus à padroeira de Loulé, conhecida pela "festa grande". Durante a "festa pequena", que decorreu 15 dias antes, festejou-se a descida da ermida da Senhora da Piedade, até à Igreja de São Francisco.


Um pouco de História:

As festividades da Mãe Soberana constituem uma tradição que data do século XVI estando ainda bastante enraizada na comunidade local.

Nesta manifestação de culto pela fé existem duas vertentes distintas: a religiosa no seu sentido significativo, e a profana, na mais ampla e liberal exteriorização popular.

Conta a lenda que, várias foram as tentativas para construir uma ermida em honra da Virgem da Piedade, numa gruta, saíndo sempre frustradas. Conta-se que os pedreiros, ao fim do dia de trabalho e ao deixar as ferramentas no local, regressavam pela manhã e encontravam essas mesmas ferramentas no alto de cerro. Atribuiu-se então tal facto, a uma intervenção e "milagre" da santa, que assim manifestava a sua vontade de ter a sua casa num local alto e sobranceiro e não escondida numa gruta. E fez-se a sua vontade...

As datas de construção/edificação não são claras, e os historiadores têm vindo a considerar a data de 1553 como sendo a "data oficial" da edificação da Ermida da Nossa Senhora da Piedade.

A missa:



O programa das comemorações começa nos dias 15, 16 e 17 de Abril, com um Tríduo Solene em que se assinala o Dia dos Colaboradores, do Idoso e do Doente, da Família e dos Jovens. Várias são as missas celebradas, em vários pontos da cidade. No dia 18, é então celebrada a missa campal, junto ao Monumento Engº Duarte Pacheco, presidida pelo Bispo do Algarve, D. Manuel Quintas. Após a eucaristia, tem início a grande procissão que percorre então as ruas da cidade.

Mesmo com a ameaça de chuva, que até se fez notar por breves momentos, a afluência ao evento fez-se notar. Gente local e vinda de todo o Algarve e regiões mais além, portugueses e estrangeiros (multi-nações), assistiram á missa e acompanharam a Santa na sua caminhada até á Capela.





Como a tradição manda, são os "jovens de carregam a Santa pelas ruas da cidade até ao seu Santuário, passando essa tradição de pais para filhos. Em tempos passados, estes homens eram considerados seres com capacidades sobre-humanas, devido ao esforço necessário para alcançar o cume e o Santuário.

Vestidos a rigor, com as suas vestes brancas (calças e opas) e mantos azuis, 8 homens caminham então pelo difícil percurso desde a baixa da cidade até ao cimo do íngreme serro onde se situa o Santuário, sempre ao ritmo da música tocada pela banda filarmónica e ainda acompanhada pelos Bombeiros e GNR.



Curiosidades:
Na procissão da "festa grande", o andor, na sua despedida à cidade, pára em frente ao edifício dos Paços do Concelho, pois era aí, que se elegiam os mordomos da confraria de Nossa Senhora da Piedade e se nomeavam os homens que em cada ano transportariam o andor. Mas também porque se pretende sublinhar os laços eclesiásticos e laicos e também porque se quer lembrar aos que tomam as rédeas ao poder local, a Piedade, a Honestidade, o Sofrimento, enfim, a Humanidade (...!!!...).

A beleza da decoração do andor e a riqueza do bordado do manto da Santa é inegável. Ricamente bordado a fio de ouro, sobre a cor azul, relembra a tradição e perfeição das bordadeiras de outros tempos. Vale a pena admirar a beleza deste bordado...
Logo que se escutam os acordes da "marcha picada" do hino da Mãe Soberana, o passo acelera, transformando-se numa corrida de equilibrio, com a população a exortar o esforço. Acenam-se com milhares de lenços brancos a sua passagem e dão-se vivas á Santa.
Ainda um facto curioso, é o de os homens que levam o andor caminharem em passo rápido, fazendo com que a Santa dance ao ritmo da música, facto este único e diferente de qualquer outra procissão a que jamais assisti, proporcionando um sentimento de alegria e fé a todos os que assistem à sua passagem. O olhar e a expressão no rosto dos mais velhotes dá-nos um sentimento de crença, só possível num meio como o vivenciado aqui, no momento...


Estamos agora frente ao largo de S. Francisco. Aqui, paramos para um breve momento de descanso, para que os portadores do andor possam recuperar forças para o percurso final.

Após isso, inicia-se a escalada do caminho que dá acesso ao Altar da Nossa Senhora da Piedade. Este é um momento espantoso da fé cristã nesta terra. Ao esforço gigantesco dos homens que transportam a Virgem, alia-se a força espiritual dos muitos fiéis que, em vivas e em passo vivo e na cadência musicada dos membros da banda, vão "empurrando", calçada acima, o pesado andor da padroeira.







Resta apenas dizer que não é só em Fátima que se vive a fé, mas é também aqui que, hoje e desde décadas, acontece a maior manifestação de religiosidade a Sul do País.
Desconhecida por muitos, mas vivenciada por bastantes....

Hino
Nossa Senhora da Piedade
Ó doce Mãe da Piedade,
Ó Maria Imaculada
Sede para sábio e rude
A nossa mãe muito amada
Sede a nossa Protectora,
Ó doce Virgem Maria.
Sede a Rainha, Senhora,
Da nossa terra algarvia.
Sede a nossa Mãe Soberana.
Nossa esperança, amparo e luz.
Sede a Guia carinhosa
Que pobres e cegos conduz.
Terra de Santa Maria,
Ó bendita Mãe de Deus,
Todo o povo em vós confia.
No mar, na terra e nos céus.

Texto elaborado com o apoio a artigos publicados pela Câmara Municipal de Loulé na página do Município e ainda em artigos da página CNA - Central de Notícias do Algarve e Observatório do Algarve.


Mostrar mensagens com a etiqueta Aldeias do Algarve Rural. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Aldeias do Algarve Rural. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, setembro 15, 2011

Rápida passagem pelo Palácio de Estoi

Passei por esta pequena vila, e lembrei-me de ir ver o Palácio de Estoi.





Por si, Estoi é uma pequena mas bela vila pacata, com enumeros pontos de interesse e beleza escondida. A igreja, as ruelas e o icônico Palácio, facilmente prendem a atenção de qualquer visitante.







Outrora, uma dos mais belos exemplos de arquitectura do género Rococó, o mesmo é neste momento, um local de desolação. Fiquei triste ao ver os jardins outrora exuberantes, agora completamente abandonados, o caminho na entrada quase irreconhecível e as estátuas visivelmente danificadas.




Associar o Palácio à Pousada é uma mais valia para quem explora o local, no entanto o interesse na sua recuperação e abertura como espaço museu foi evidentemente descurada. Engraçado como se fala de recuperação do espaço com a construção da Pousada, quando na realidade, a ao passar junto do portao principal, o mesmo se encontra encerrado, tal como a história que anseia em chegar junto de todos os visitantes.


Pormenor de uma das "janelas" do muro na entrada.

Portão da entrada principal do Palácio


 Circulando ao longo do muro da pousada e contornando todo o espaço, apanhamos a estrada que nos leva à Pousada. Um caminho em calçada portuguesa, com uma linda paisagem circundante. Quintas restauradas, vivendas tratadas e uma paisagem natural e característica das paisagens da serra, levam-nos até à entrada da Pousada.

Pousada de Estoi
Neste momento, também os espaços verdes do recinto da Pousada estão um pouco descurados. Ervas maiores que as plantas decorativas, grandes áreas de plantação sem vestígios de plantas e um "ervado" que se confunde com um prado florido, ainda sem flores...
Posso apenas especular que se tratam meramente de motivos económicos e não de falta de estética ou senso. Afinal, como eu, também qualquer turista que fique ou visite a área irá observar esses pequenos detalhes, que muita diferença podem fazer...



Mas pormenores à parte,  o pormenor paisagistico foi bem conseguido. Pelo menos na cobertura do edifício. Transmite-nos serenidade.


Uma coisita que pessoalmente "detestei", pois caso fosse eu que estivesse acomodada neste quarto, não queria ser incomodada por olhares indiscretos que pudessem passar na escadaria entre os edifícios. Decididamente, este pormenor teria que ser corrigido asap.


Mas não pensem que é só críticas. Não senhor. Apenas queria partilhar este meu sentimento, um pouco de revolta, de ver um dos monumentos mais bonitos e respeitáveis da área, tão mal tratado e quase esquecido, valendo-se certas entidades apenas do nome, sem preocupações da preservação da história e sua divulgação ao mundo.

Vale sem dúvida, a visita, pois uma vez mais, pormenores à parte e ignorando essas más coisas, o espaço leva a nossa imaginação aos tempos de outrora, das damas com longos e vistosos vestidos, dos convidados entrando e atravessando o longo caminho até à escadaria, os jardins espectaculares e frondosos, as fontes, os sons dos animais........
Como deveria ser lindo...

Bons passeios...

domingo, novembro 14, 2010

Vila de Monchique e Fóia

Fóio - Setembro 2010. Aqui, as núvens estão abaixo de nós...
Fóia: ponto mais alto de todo o Algarve, com os seus cerca de 910 metros de altitude, transporta-nos para outra estação, mesmo em pleno dia de Verão. Neste dia, com cerca de 31ºC ao nível do mar, chegamos lá acima e a temperatura vai para os 12-13ºC!
Frio. Muito frio, para quem vai de vestes de Verão!

Ao chegar lá acima, podemos apreciar a vista sobre toda a Serra de Monchique, onde as árvores formam um verdejante tapete que cobre grande parte da Serra. Pena e triste, as manchas despovoadas de árvores que se avistam aqui e além, devido a "desastres" que o Homem  ainda insiste em manter e promover, com os fogos que se verificam ano após ano...
Subir ao cimo das pedras na Fóia.


 As árvores, como alguém escreveu, "formam um misterioso jardim, uma catedral natural que o mar emoldura no infinito."

Lá em cima, sentimos a fria briza e as núvens que por nós passam e nos fazem sentir como sendo "parte" da natureza, de forma nua e natural.







 Descemos, em sentido à Vila de Monchique. Pelo caminho, passando por caminhos emoldurados de vegetação luxuriante, fontes, ribeiros e regatos que a cada curva se vão descobrindo. É esta riqueza hidrológica que dá vida, cor e frescura a esta região.

Castanhas ainda dentro do "ouriço" em fase de amadurecimento.

Castanheiro (árvore adulta) - nome científico: Castanea sativa

Uma das espécies, entre muitas outras, que se evidenciam na paisagem, são os Castanheiros (Castanea sativa), que nesta altura do ano, nos fornecem o precioso fruto, que pelas ruas das nossas vilas e cidades nos fazem cescer a água na boca - as castanhas. Aqui, ainda em fase de maturação.
Caminhos na Serra da Monchique, entre Castanheiros e Eucaliptos.

Caminhos e mais caminhos, por entre árvores várias. Aqui, uma zona de eucaliptal.

A extracção de sienitos (usada nas pedras de calçada da região) e a extracção de cortiça, são duas das actividades económicas mais importantes na região, a par do engarrafamento da água de Monchique e da exploração florestal intensiva (eucaliptos e pinheiros).

Outras fontes de rendimento são os produtos agro-alimentares artesanais e a apicultura. A suinicultura e a agricultura de subsistência, em socalcos, tmabém são relevantes para a economia local. Convém referir a já famosa Feira dos Enchidos de Monchique!


Vistas panorâmicas da Serra, transporta-nos para várias direcções e orientações desde a Serra até ao mar, lá ao fundo...
Vista da Serra num dos muitos miradouros que se podem encontrar.

Vila de Monchique: arte e cultura popular encontram-se no centro da vila.
Descemos mais um pouco pela serra e chegamos á vila: Vila de Monchique.

Aqui, encontramos a tradição da vila, aliada à modernização, num misto de arte e tradição, que tanto motiva e incentiva o turismo local.
Alusão aos mais pequenos da vila.

Painel de azulejos, situado no centro da vila.

Vista panoramica da Vila de Monchique.

Mais uma das vistas da Serra de Monchique.


Vale a pena visitar, com calma e tempo, de forma a descobrir o que de genuíno ainda existe na nossa região.

Fui um dia muito bem passado, em família.

Ah, e já agora, não deixe de experimentar a melhor parte: a gastronomia local - doces e enchidos....hum!

Aprecie e....bons passeios.
Momentos da vida da Vila, onde o doutor conversava com os mais jovens da terra.

segunda-feira, outubro 18, 2010

Alte - onde o verde e a água convidam a infindáveis momentos de lazer

Em mais um dia de passeio pelo nosso barrocal algarvio, cheguei a este fantástico lugar, baptizado de ALTE. Com as suas casas de tipo rural, construídas em taipa e com tecto de caniço que enquadram a brancura de uma aldeira tipicamente serrana, atraem qualquer turista nacional ou estrangeiros, para um passeio pedonal pelas suas ruas e ruelas. Note-se que a aldeia de Alte é geralmente considerada como uma das mais bonitas de Portugal.
Foi a tipicidade desta aldeia que me convidou a percorrer essas ruas apertadas, com calçadas empedradas com a tradicional calçada e com pequenos páteos aqui e ali, cheios de floreiras de coloridas e floridas sardinheiras (Pelargonium zonale).
A aldeia foi edificada entre os 4 cerros que a rodeiam: Galvana, Francelheira, Castelo e Rocha Maior, e convido-vos a um passeio "virtual" pela aldeia:

Num dos painéis visíveis ao longo do passeio junto á ribeira, é possível ver e ler este poema de Luís de Camões, tão antigo na sua origem, mas igualmente actual na mensagem que deixa.

Numa das esplanadas junto á ribeira, todas as mesas são construídas com os pés em ferro provenientes das famosas máquinas de costura de mesa - SINGER. Original e respeita os princípios da reciclagem...

A ribeira que atravessa Alte, desde a Fonte Grande à Queda do Vigário, dá frescura perene e alegria á aldeia. É frequente encontrar crianças e adultos a banharem-se e a brincar nas límpidas e frias águas da ribeira.




Pela aldeia adentro, caminhando desde a ribeira até ao centro da aldeia, é possível observar pequenas e típicas ruelas, com a sua típica calçada á portuguesa e aqui, com uma esplêndida bougainvillea em flor para alegrar o olho.

Em frente da Igreja Matriz de Alte, consegue ver-se ainda a placa na parede da casa que indica o sentido da Estrada Nacional, por caminhos outrora seguidos, mas que neste momento apenas são seguidos pelos turistas, curiosos e moradores locais, que querem explorar os caminhos de antigamente.
Capela de S. Luís nos dias de hoje.

Capela de S. Luíz nos tempos de outrora. Ao longo das ruelas podemos observar imagens dos vários pontos históricos da vila, em diferentes momentos da sua vida e evolução. Observem que a árvore é ainda a mesma em ambas as imagens...


Porta principal de entrada da Igreja Matriz. Com fundação anterior ao séc. XV, a igreja sofreu remodelações nos séc. XVI e XVIII. O portal e as pias baptismais são manuelinos. O maior destaque desta igreja, são a abóboda quinhentista artesoada, revestida com azulejos do séc. XVIII e talha barroca. Magníficos azulejos policromos completam a decoração da igreja, assim como as belas imagensde Santa Teresa (séc. XVII), Nossa Senhora do Rosário e Santa Margarida (séc. XVIII), também decoradas a azulejo.

Vista geral da Igreja Matriz, no centro da Aldeia de Alte.

De volta á Ribeira, passo por mais uma ruela em que a arquitectura típica se funde com o conforto das modernas casas por dentro, mas mantêm a cor e imagem de antigamente por fora.

Rua dos Pisadoiros, um painel de azulejos descreve e mostra uma das actividades praticada nos tempos idos e que ainda se mantêm vivo nas mentes dos mais idosos. Esta era a rua em que a actividade de empreita da palma era praticada desde as primeiras horas da madrugada, até ao nascer do sol, pelas senhoras da terra. A tarefa consistia em, após demolhar nas levadas da ribeira e enxuto o esparto, nas suas margens, este (o esparto) era depois pisado, horas a fio, nas ruas e largos da aldeia. Á noite, nos serões à lareira ou nos pátios da aldeia, as mulheres torciam-no entre as suas mãos, numa delicada e fina baracinha. Eram depois comercializados como objectos funcionais do quotidiano: ceirões, cabos, sacos de rede, alcofas, tapetes...
  
Um dos pontos mais altos da aldeia, onde é poss

Escultura na ribeira.


 
O pormenor de troncos de alfarrobeira (nome científico: Ceratonia siliqua, nome comum: alfarrobeira) a emergir de uma rocha, demonstrando e elevada capacidade de resistência e de persistência, para vingar num sistema rochoso como o da região. Podia ser uma escultura, mas é a natureza a sua autora... 


Exemplo de uma nora em funcionamento. Esta encontra-se á entrada do restaurante "Fonte Pequena", que se recomenda, principalmente pela especialidade que eu bastante aprecio: Carapaus alimados.....

Vista da margem lateral da ribeira

Um dos muitos poemas de Cândido Guerreiro - poeta altense, que tantas vezes se inspirou nas suas visitas á Fonte Pequena. O poeta apreciava particularmente a harmonia bucólica do local, cujas características ainda hoje se mantêm. Aliás, foi nesse lugar que a povoação resolveu adificar uma estátua sua, em sua homenagem.

A Fonte Pequena.

Ponte de acesso á vila, que passa sobre a ribeira. Vejam-se os bandos de patos mudos, patos reais e cisnes que passeam calmamente pela ribeira em busca de comida que os transeuntes e residentes lhes atiram á água.... A Maggie bem que olhou para eles e fez as suas contas de cabeça......mas decidiu apenas nadar com eles!
Ora bem.....quantos são?????

Ataque!!!!.....Bolas, a água está fria, brrrrrrr.........
fugiram todos. Porque seria?
 Muitas coisas ficaram por ver, mas muitas ficaram na memória. É um passeio para fazer só, ou em família, mas não esquecer nunca um farnelzito e um livro ou caderno de apontamentos, de forma a poder apreciar verdadeiramente este ambiente á nossa volta, que tanta gente inspirou...

E não deixe de apreciar a doçaria e confeitaria com a tradicional amêndoa e mel, nas pastelarias locais. E a aguardente de medronho que vai bem com todos esses docinhos...

Divirta-se e bons passeios...

domingo, abril 18, 2010

Festa Grande da Mãe Soberana, Nossa Senhora da Piedade - Loulé









Neste dia 18 de Abril, na cidade de Loulé, ocorreu mais um evento de carácter religioso, onde ocorreram milhares de fiéis à cidade. Neste dia, festeja-se o adeus à padroeira de Loulé, conhecida pela "festa grande". Durante a "festa pequena", que decorreu 15 dias antes, festejou-se a descida da ermida da Senhora da Piedade, até à Igreja de São Francisco.


Um pouco de História:

As festividades da Mãe Soberana constituem uma tradição que data do século XVI estando ainda bastante enraizada na comunidade local.

Nesta manifestação de culto pela fé existem duas vertentes distintas: a religiosa no seu sentido significativo, e a profana, na mais ampla e liberal exteriorização popular.

Conta a lenda que, várias foram as tentativas para construir uma ermida em honra da Virgem da Piedade, numa gruta, saíndo sempre frustradas. Conta-se que os pedreiros, ao fim do dia de trabalho e ao deixar as ferramentas no local, regressavam pela manhã e encontravam essas mesmas ferramentas no alto de cerro. Atribuiu-se então tal facto, a uma intervenção e "milagre" da santa, que assim manifestava a sua vontade de ter a sua casa num local alto e sobranceiro e não escondida numa gruta. E fez-se a sua vontade...

As datas de construção/edificação não são claras, e os historiadores têm vindo a considerar a data de 1553 como sendo a "data oficial" da edificação da Ermida da Nossa Senhora da Piedade.

A missa:



O programa das comemorações começa nos dias 15, 16 e 17 de Abril, com um Tríduo Solene em que se assinala o Dia dos Colaboradores, do Idoso e do Doente, da Família e dos Jovens. Várias são as missas celebradas, em vários pontos da cidade. No dia 18, é então celebrada a missa campal, junto ao Monumento Engº Duarte Pacheco, presidida pelo Bispo do Algarve, D. Manuel Quintas. Após a eucaristia, tem início a grande procissão que percorre então as ruas da cidade.

Mesmo com a ameaça de chuva, que até se fez notar por breves momentos, a afluência ao evento fez-se notar. Gente local e vinda de todo o Algarve e regiões mais além, portugueses e estrangeiros (multi-nações), assistiram á missa e acompanharam a Santa na sua caminhada até á Capela.





Como a tradição manda, são os "jovens de carregam a Santa pelas ruas da cidade até ao seu Santuário, passando essa tradição de pais para filhos. Em tempos passados, estes homens eram considerados seres com capacidades sobre-humanas, devido ao esforço necessário para alcançar o cume e o Santuário.

Vestidos a rigor, com as suas vestes brancas (calças e opas) e mantos azuis, 8 homens caminham então pelo difícil percurso desde a baixa da cidade até ao cimo do íngreme serro onde se situa o Santuário, sempre ao ritmo da música tocada pela banda filarmónica e ainda acompanhada pelos Bombeiros e GNR.



Curiosidades:
Na procissão da "festa grande", o andor, na sua despedida à cidade, pára em frente ao edifício dos Paços do Concelho, pois era aí, que se elegiam os mordomos da confraria de Nossa Senhora da Piedade e se nomeavam os homens que em cada ano transportariam o andor. Mas também porque se pretende sublinhar os laços eclesiásticos e laicos e também porque se quer lembrar aos que tomam as rédeas ao poder local, a Piedade, a Honestidade, o Sofrimento, enfim, a Humanidade (...!!!...).

A beleza da decoração do andor e a riqueza do bordado do manto da Santa é inegável. Ricamente bordado a fio de ouro, sobre a cor azul, relembra a tradição e perfeição das bordadeiras de outros tempos. Vale a pena admirar a beleza deste bordado...
Logo que se escutam os acordes da "marcha picada" do hino da Mãe Soberana, o passo acelera, transformando-se numa corrida de equilibrio, com a população a exortar o esforço. Acenam-se com milhares de lenços brancos a sua passagem e dão-se vivas á Santa.
Ainda um facto curioso, é o de os homens que levam o andor caminharem em passo rápido, fazendo com que a Santa dance ao ritmo da música, facto este único e diferente de qualquer outra procissão a que jamais assisti, proporcionando um sentimento de alegria e fé a todos os que assistem à sua passagem. O olhar e a expressão no rosto dos mais velhotes dá-nos um sentimento de crença, só possível num meio como o vivenciado aqui, no momento...


Estamos agora frente ao largo de S. Francisco. Aqui, paramos para um breve momento de descanso, para que os portadores do andor possam recuperar forças para o percurso final.

Após isso, inicia-se a escalada do caminho que dá acesso ao Altar da Nossa Senhora da Piedade. Este é um momento espantoso da fé cristã nesta terra. Ao esforço gigantesco dos homens que transportam a Virgem, alia-se a força espiritual dos muitos fiéis que, em vivas e em passo vivo e na cadência musicada dos membros da banda, vão "empurrando", calçada acima, o pesado andor da padroeira.







Resta apenas dizer que não é só em Fátima que se vive a fé, mas é também aqui que, hoje e desde décadas, acontece a maior manifestação de religiosidade a Sul do País.
Desconhecida por muitos, mas vivenciada por bastantes....

Hino
Nossa Senhora da Piedade
Ó doce Mãe da Piedade,
Ó Maria Imaculada
Sede para sábio e rude
A nossa mãe muito amada
Sede a nossa Protectora,
Ó doce Virgem Maria.
Sede a Rainha, Senhora,
Da nossa terra algarvia.
Sede a nossa Mãe Soberana.
Nossa esperança, amparo e luz.
Sede a Guia carinhosa
Que pobres e cegos conduz.
Terra de Santa Maria,
Ó bendita Mãe de Deus,
Todo o povo em vós confia.
No mar, na terra e nos céus.

Texto elaborado com o apoio a artigos publicados pela Câmara Municipal de Loulé na página do Município e ainda em artigos da página CNA - Central de Notícias do Algarve e Observatório do Algarve.